sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O Cristo Glorificado está presente na igreja e livra do sofrimento (Apocalipse 1.9-20)

Apocalipse 1.9-20 é a segunda perícope do livro. Se Apocalipse é, e de fato é, a "Revelação de Jesus Cristo" (Ap 1.1), temos aqui uma descrição impactante de Jesus ressurreto, glorificado.

O Jesus das sandálias desgastadas, das roupas poídas, da pele queimada pelo Sol da Galileia, aquele homem de Nazaré dá espaço para Aquele que é "o primeiro e o último", que tem uma voz poderosa como águas torrenciais, uma voz alta como uma trombeta, um brilho como o do Sol.

A visão é absolutamente impactante ao ponto de João praticamente desmaiar.

Fatos notáveis no texto bíblico: Jesus identifica a si mesmo como "o primeiro e o último" (1.17). Em 1.8 o Senhor Deus, o Pai, se identifica como o "Alfa e o Ômega", a primeira e a última letra do alfabeto grego. Há claramente uma identificação do filho com o pai em natureza, em essência.

João afirma que aquele personagem que ele vê é "semelhante a um filho de homem" (1.13). É a mesma expressão usada em Daniel 7.13. O filho do homem de Daniel "vinha com as nuvens", Jesus em Apocalipse "vem com as nuvens" (1.7). O comentário da Bíblia de Estudo Thomas Nelson informa que "cavalgar as nuvens" está normalmente associado a manifestações de Deus. O cabelo branco como a neve e lã pura também está relacionada ao "Ancião de Dias" de Daniel 7.9, cuja veste branca é como a neve e o cabelo é como lã pura.

João está tentando nos dizer: o Cristo glorificado desta visão não é um mero homem glorificado, é o próprio Deus. As marcas da divindade estão sobre Ele. Aquele que "foi morto, mas agora vive para sempre", tem as chaves "da morte e da sepultura" porque não é simplesmente um ser humano com corpo renovado, mas o próprio Deus.

Também aqui chama a atenção algo que Cristo quer comunicar a João. "As sete estrelas que você viu em minha mão direita (...) são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros [no meio dos quais você me viu] são as sete igrejas." (Apocalipse 1.20. cf. 1.12-13). O autor que escreve às 7 igrejas da Ásia menor se identifica como irmão e companheiro destas igrejas no sofrimento, em meio a tribulação e declara estar preso justamente por causa da Palavra de Deus e por testemunhar a respeito de Jesus (1.9).

Não sabemos com certeza a natureza e a extensão do sofrimento e tribulação dessas igrejas, mas certamente havia algo acontecendo de maneira sistemática e organizada naquela região, atual Turquia.

A uma igreja que sofria e a um João que está preso, Jesus está dizendo: Eu estou no controle - os anjos estão na Minha mão direita! Ele está dizendo: Eu conheço seu sofrimento - Eu estou no meio dos candelabros, Eu estou no meio das igrejas.

Quantas vezes passamos por situações assim, quando o sofrimento e a tribulação nos parecem encontrar e deixar sem esperança! Quando Deus parece estar silente. Quando a aflição nos alcança e estamos impotentes. O Apocalipse não foi escrito como um código a ser decifrado. Ele não foi escrito como um mapa do futuro. Não! Ele foi escrito a uma igreja em sofrimento para dizer a ela: "Não abandonei você, Eu vejo você, o sofrimento e a morte não terão a palavra final. A vitória virá, mas o processo é doloroso. Como um vaso nas mãos do oleiro que precisa passar pelo fogo antes de estar pronto, assim é com os Meus filhos, com a Minha igreja."

Que Deus nos conforte com a mensagem do Apocalipse.

Imagem gerada por IA

0 comments:

Postar um comentário